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IV Premio USIMINAS Arquitetura e m Aço - Centro de Arte CORPO

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CENTRO DE ARTE CORPO  MEMÓRIA

"Horizonte largo, mar de montanhas, território inóspito à desbravar. Nas Minas Gerais de outrora, a conquista pela estrada de ferro".  
Cidade grande, mar de pessoas, cultura à preservar. O minério se transforma, o corpo se movimenta, o espaço se modifica, a conquista pelo edifício de ferro. Na área de Nova Lima, subúrbio conurbado à Belo Horizonte a conquista está por se fazer. Lá ainda estão o território pouco explorado e o espaço pouco organizado. Imperioso então, o gesto afirmativo da conquista, o ato civilizatório da urbe, a metástase positiva trazida pela ordem do espaço controlado. O trem da cultura e da coletividade. A cidade do corpo. No projeto, o terreno, abstrato em traçado, quarteirão de loteamento invisível, vazio na paisagem, transforma-se em ordem: Urbana, pela rua que estrutura galeria de arte, bares, restaurantes, praças, teatros, cinemas e leva ao anfitrião  ao Grupo Corpo; geométrica, pela trama regular que marca e organiza o território, subdivide-o em cheios e vazios, transparências e texturas regulares, container para o corpo em movimento; tecnológica, pela racionalidade do sistema, pela lógica dimensional e construtiva; flexível, pela dinamicidade de elementos móveis, que integram espaços, que conectam visuais, pelos gestos largos e pelas subversões da ordem. Planos móveis sob a estrutura regular. 

Alguns elementos vitais ao corpo do edifício: 

-    O esqueleto: Trama regular de 9,00 x 9,00m que pauta a composição espacial, abriga cheios e vazios, define áreas de transição, organiza as funções, estrutura as áreas edificadas, regula o sistema construtivo.
-    A espinha dorsal: rua longitudinal, de 9,00m de largura. Caixa de cristal, pé direito avantajado, enriquecida de entrepisos e mezaninos, conduz o promenade  à cidade do Corpo, sob a luz filtrada dos brises e planos que flutuam externamente.
-    A face: Placa longelínea definida pela separação de funções na fachada oeste, na qual articulam-se por contigüidade, de uma lado as atividades de fruição do Centro de Arte Corpo (galeria, teatro, átrio, praças, etc.), do outro os apoios e serviços à essas. Fisionomia visível à distância, impacto ao que chega pela estrada. Out-door.
-    Os órgãos: Onde a vida do conjunto se desenvolve com intensidade. As atividades fim. Destacam-se a galeria e o teatro. Volumes proeminentes, texturas do metal, celebração do material.  Nos espaços intersticiais, transparências e integração. Painéis que se abrem, espaços que se conectam: Hall com galeria, galeria com rua, rua e galeria com pátio, pátio com átrio, átrio com teatro, teatro com pátio, pátio com a sede do Grupo Corpo, a sede do Grupo Corpo com o seu pátio. E o  promenade  da rua e dos mezaninos serpenteando... 

As funções vitais:

-    A Oeste, uma faixa longitudinal de 9,00m, de ponta a ponta abriga todas as funções e acessos de serviço, funcionários e pessoal especifico do Centro: Depósitos, docas, áreas de serviço e apoios aos funcionários.
-    Separado dessa faixa de serviço pela placa, outra faixa longitudinal de 27,00m, essa a mais importante sob o ponto funcional e espacial, abriga as atividades fim: Galeria, pátios, teatro, estúdio, articulados entre si por painéis móveis e as áreas de transição (pátios e átrio). Grandes volumes opacos, grandes vazios transparentes. Adição e subtração.
-    A seguir a rua de 9,00m conecta todas as funções, abriga os principais acessos de público a norte e a leste. A rua conclui-se na Sede do Grupo Corpo Companhia de Dança, desmaterializando-se em jardins transparentes que estabelecem nova escala ao pedestre e permeiam as diversas atividades desse setor.
-   A  leste, uma faixa longitudinal de 9,00m abriga as atividades complementares e de animação, como lojas, bares restaurantes, cinemas, etc... Essas por sua vez abrem-se à espaços intermediários e à rua animando o espaço urbano. Essa fita é um trem vivo, composto de vagões, onde estão pessoas em convívio.

-    Na Sede do Grupo Corpo Companhia de Dança, a forma clássica: Organização perimetral ao redor de um pátio, jardins intimistas, varandas, deambulatório. Um ar monástico propício à concentração e ao cuidado com o corpo.

A anatomia do edifício:

A estrutura:

-    O esqueleto tem como concepção a idéia de imagem forte e impactante conjugada a simplicidade de fabricação, transporte e colocação de peças: Malha de 9,00m com sub-múltiplos de 3,00m, de Perfil Usilight. Peças de dimensionamento padrão, aumentando a quantidade de peças  quando de exigência estrutural e não de secções. Pilares e vigas simples quando do esqueleto agindo com peso próprio. Malhas quádruplas e treliças planas quando carregamentos de cargas permanentes e/ou acidentais. Dessa maneira, a secção do pilar ganha em área, através do agrupamento de quatro peças estruturais travejadas em quadro, absorvendo os esforços horizontais e evitando o contraventamento. Nos entrepisos lajes tipo steel-deck favorecem a idéia de industrialização do sistema construtivo.
Nas áreas de vãos maiores (galeria, teatro, estúdio A), treliças compensam o aumento na modulação.

A respiração (Condicionamento ambiental):

-    A imagem de transparência, leveza e fugacidade desejada ao edifício, está conjugada a idéia de controle passivo das condições ambientais. Brises articulados aos planos horizontais e verticais do esqueleto do edifício, calculados para oferecer sombreamento às áreas sensíveis à luz do sol. Espaços de transição com ampla ventilação entre os fatores de sombra e as transparências contribuem com o isolamento térmico.
-    Propõe-se a elevação de todo o nível interno do edifício para a cota 1,20m em relação ao ponto mais baixo do terreno, criando uma plataforma sobre o perfil natural do terreno e a umidade das partes mais baixas. Na rua interna e nas praças, propõe-se o aproveitamento dessa elevação, para captação de ar fresco sob o piso e aspiração para o ambiente por termo-sifão criado por aberturas junto a cobertura na circulação. Com isso pretende-se regular a temperatura ambiente, em situação de verão, deixando-a igual a temperatura exterior, à sombra.

-    Propõe-se a elevação de todo o nível interno do edifício para a cota 1,20m em relação ao ponto mais baixo do terreno, criando uma plataforma sobre o perfil natural do terreno e a umidade das partes mais baixas. Na rua interna e nas praças, propõe-se o aproveitamento dessa elevação, para captação de ar fresco sob o piso e aspiração para o ambiente por termo-sifão criado por aberturas junto a cobertura na circulação. Com isso pretende-se regular a temperatura ambiente, em situação de verão, deixando-a igual a temperatura exterior, à sombra. Nos espaços de atividades fim, galeria, teatro, cinemas, restaurante, no Setor A e, estúdios, escritórios, camarins, etc... do Setor B, a previsão é de condicionamento artificial com central de água gelada e fancoils, com insuflamento do ar frio pelo piso a temperaturas mais elevadas nos espaços grandes (23°C  trazendo economia de energia). Nesses ambientes, no entanto, o sistema de painéis móveis permite fartas e flexíveis possibilidades de ventilação e iluminação natural, podendo substituir o condicionamento artificial em diversas oportunidades. 

As partes do Corpo:

A Galeria:

-    Volume de 22,50m de altura, entrecortado por estrutura intermediária no nível 15,00, resultando em pé-direito livre de 12,00m no primeiro vão e 21,00m no segundo. A estrutura intermediária, otimizada para grandes cargas acidentais pode receber pontes rolantes que cobrem toda a superfície da galeria, depósito e oficina. A envolvente desse volume é composta integralmente de painéis móveis de 3,00 x 3,00m na forma de portões de abrir, com sistema simples e econômico, de contrapeso e acionamento remoto (semelhante a portões de garagem doméstica), revestidos com aço tipo cor-ten, que comunicam e expandem a galeria ao depósito, oficina, ao hall, à rua, ao pátio e aos mezaninos nos níveis 3,00m, 6,00m e 9,00m. A partir do nível 15,00m o mezanino ingressa e se integra no espaço da galeria, sobre a estrutura intermediária.

O Teatro:

-    Platéia e palco configurados conforme diretrizes do Grupo Corpo, bem como as saídas de emergência. Flexibilidade nas possibilidades de acesso: No nível térreo pelas laterais, no 1° mezanino, pelas laterais através de escadas e elevador, e no 2° mezanino, ingresso pelo nível superior por elevador e escada. Sistema de qualificação acústica através das paredes duplas e das circulações laterais isoladas por elementos móveis. No palco, o posicionamento dos depósitos na retaguarda, otimiza sua superfície articulando-se com o pátio de apresentações através de portões móveis, permitindo apresentações para o espaço aberto. O volume que abriga a caixa do palco, revestida externamente em aço inoxidável se contrapõe ao aço cor-ten da galeria. Os órgãos do Corpo.

Os pátios:

-    Dois grandes pátios articulam as atividades públicas: um voltado às exposições, feiras de arte, erformances, etc. abrindo-se para a galeria, o átrio, os bares e restaurantes. O outro, para as apresentações, cinema grátis, shows, ligado ao teatro e ao estudio A e à área de cinemas. Ambos pátios podem comunicar-se diretamente com o espaço público através de portões na face oeste. O terceiro pátio, reservado a sede do Grupo Corpo, complementa-se com jardins e uma varanda perimetral, que como um deambulatório, perfaz um espaço de recolhimento às diversas atividades que abrem-se para ele. Os pátios favorecem a ventilação natural nas diversas partes e níveis do complexo.

Um sistema, duas etapas:

Realizado em duas etapas, o sistema determinado pelo esqueleto metálico e painéis de fechamento industrializados, ora metálicos como na placa longitudinal, nos módulos da faixa de bares e restaurantes e na galeria, ora de concreto pré-fabricado com cimento branco, nos módulos de serviço e na Sede do Grupo Corpo, devidamente tratados com isolante térmico, estabelece uma flexibilidade de continuidade tanto sob o ponto de vista construtivo quanto ao caráter da edificação.

Racionalidade/emoção, flexibilidade/rigor, leveza/precisão, transparências/texturas, ordem/graça, os elementos primitivos da Arquitetura e do Corpo.

 

Sergio M. Marques, 2001

4º Prêmio USIMINAS arquitetura em aço; Centro de Arte CORPO

 

Ano:

2001


Local:

Nova Lima/ MG


Organizador:

IAB/ MG


Promotor:

USIMINAS; GRUPO CORPO


Juri:

Gonçalo Byrne – presidente; Beatriz Lessa; João Walter Toscano; José Eduardo Ferolla; Pasqualino Romano Magnavita; Pedrosvaldo Caram Santos; Sophia da Silva Telles


Classificação:

Participação


Equipe:

Arq. Sergio M. Maques – Arq. Daniel F. Pitta – Arq. Maria Clara Schiling – Arq. Marcel Trescastro – Arq. Ingrid Lermen

Colaboração: 

Arq. Moacyr Moojen Marques,  Acad. Helena Bridi

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