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Refinaria Alberto Pasqualini - REFAP

REFAP,_1962,_fayet,_cláudio_araújo,_mooj

REFAP

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O desenvolvimento do plano diretor para a gleba, tão estratégico tanto para o resultado espacial do conjunto quanto para a arquitetura dos pavilhões propriamente ditos, partiu de premissas determinadas conjuntamente pela equipe, e duas diretrizes fundamentais estruturam a lógica do partido urbanístico adotado:

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  • aproveitamento dos valores da paisagem local, tanto pela manutenção máxima possível do relevo – evolvendo um conjunto considerável de vegetação nativa e concentração natural de água preservados, mantendo boa parte da topografia original e açude existente, originários da Fazenda da Brigadeira (Bairro São Luís – Canoas-RS), sede do local, cuja construção principal também foi preservada – quanto pela implantação das edificações novas e área industrial em articulação respeitosa com o ambiente ; 

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  • organização geral das edificações e zoneamento da área industrial de forma a constituir espaço urbano ordenado por objetos autônomos, inseridos na paisagem, relacionados entre si, tanto através de sistema espacial abstrato e fluido – onde perspectivas visuais relacionam formalmente as unidades, formando uma espécie de jogo entre peças distintas de um mesmo sistema – quanto pelas relações tipológicas estabelecidas entre as edificações. O princípio de organização espacial e formal dos diversos pavilhões evidencia a utilização de critérios modernos de projeto, com certa universalidade, porém adequados às variáveis de programa e sítio, fortemente condicionados por parâmetros técnicos e construtivos, estabelecendo um conjunto de relações topológicas entre eles, desde o ponto de vista urbano e sistêmico/tipológico até o ponto de vista formal das arquiteturas;

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Na escala urbana, portanto, a estratégia de projeto foi conceber, em equipe, partido geral para a implantação do conjunto, com ênfase em sistema espacial controlado funcionalmente, mas qualificado formalmente, observando parâmetros ambientais, através de desenho abstrato ordenado e relações visuais consequentes. O conjunto conforma espaço urbano moderno controlado espacialmente, mesmo que desenhado a partir de parâmetros de funcionalidade, circulação e segurança determinantes no caso: a organização geral do complexo obedece ordenamento cartesiano de quadras ortogonais regulares para a área industrial – que ocupa a metade norte da gleba, dividida em duas longitudinalmente, com ocupação da perna do “L” a norte de forma a “encaixar” a perna do “L” da área do refeitório, configurando dois “Ls” associados, como convém às exigências programáticas – e um traçado mais irregular à garden city, conectando pavilhões horizontalizados e valorizando a paisagem natural nas áreas coletivas, com Refeitório, Administração, Superintendência, Serviços Médicos, etc.

A estratégia do projeto, subvertendo a prática de tábula rasa de nivelar o terreno integralmente – critério comum nas instalações industriais, igualmente intencionada inicialmente pela Petrobras para o caso – preservou as condições topográficas naturais e a mata nativa e condicionou substantivamente os princípios de organização urbana e ocupação espacial adotados, localizando nas partes mais altas os edifícios administrativos e serviços, em quatro conjuntos, de forma a estabelecer relações arquitetônicas entre si, com a paisagem e restringindo o terrapleno à área industrial propriamente dita, onde o sistema espacial é rigorosamente subordinado à infraestrutura. A ideia de constituição de conjuntos urbanos modernos revela sensibilidade incomum em complexos industriais, com poucos antecedentes no relativamente recente processo de industrialização do país.

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Sergio M. Marques, 2012

 


Refinaria Alberto Pasqualini - REFAP

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Ano: 1962-1968

Área: 50.000m²

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Promotor/Contratante:

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Governo do Federal do Brasil., Petrobrás S.A.

 

Projeto de Urbanismo, Paisagismo, Arquitetura e Fiscalização de Obral:

 

Arqs. Carlos M. Fayet, Cláudio L. G. Araújo,  Moacyr Moojen Marques, e Miguel Pereira

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Complementares:

 

Cálculo Estrutural:

Eng. Dicran Gureghiam, Eng. Eugênio Knoor, Eng. Fernando Campos de Souza

 

Técnicas construtivas e especificações

Eng. Raul Rego Faillac

 

Instalações elétricas, hidráulicas e ar-condicionado

Eng. Boyjunga Dias e Eng. Milton Campos

 

Acesso viário BR-116

Eng. Cloraldino Severo 

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Construtoras:

Melo Pedreira, Azevedo Moura Gertum, Tedesco e outras.

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Local:  Rodovia BR 101 Km 13, Canoas/RS

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Condição Atual:  Em uso

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Fotografias:

João Alberto da Fonseca – Acervo FAM

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Modelo 3D: 

Sergio Marques

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Treinamento
Administração

BIBLIOGRAFIA

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LUCCAS, Luís Henrique Haas. Arquitetura moderna brasileira em Porto Alegre: sob o mito do “gênio artístico nacional”. Porto Alegre: PROPAR-UFRGS, 2004 (Tese de doutorado em arquitetura).

​

 MARQUES, S. M.. FAM. 1. ed. Porto Alegre: ADFAUPA, 2016. v. 300. 448p

​

MARQUES, S. M.. Carlos Maximiliano Fayet. Arquitetura moderna brasileira no Sul. Arquitextos (São Paulo. Online), v. 105, p. 105.03, 2009

​

MARQUES, S. M.. Ambiente, paisagem, urbanismo e arquitetura modernos em obra pioneira da Arquitetura Moderna Brasileira no sul: Refap/Petrobras - 1962/1968. AMBIENTE CONSTRUÍDO (ONLINE), v. 18, p. xxx, 2018.

​

MARQUES, S. M.. DA "REFINARIA À SECRETARIA" - Racionalismo Estrutural, socialismo nacional e modernismo regional em obras públicas de Fayet, Araújo & Moojen - 1962 a 1970. In: Carlos E. D. Comas; Marta Peixoto; Sergio M. Marques. (Org.). Concreto - Plasticidade e Industrialização na Arquitetura do Cone Sul-Americano 1930/1970. 1ed.Porto Alegre: Editora Ritter dos Reis, 2012, v. VII, p. 175-204

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Projeto Janeiro/Fevereiro de 1994 nº171­; Bienal Tradição e Ruptura – Arquitetura, Nov 1984 – Jan 1985, pg. 30

​

SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil (1900-1990). São Paulo: Edusp, 1998.


XAVIER, Alberto/MIZOGUCHI, Ivan. Arquitetura Moderna em Porto Alegre. São Paulo: Pini, 1987.

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PREMIOS E EXPOSIÇÕES

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Medalha de Ouro - Melhor Projeto Construído, 4º Salão de Arquitetura do RS  IAB/RS. Janeiro 1968

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Bienal Internacional de Arquitetura – Tradição e Ruptura –  Fundação Bienal de São Paulo (19/11/1984 a 31/05/1985)

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Integrante do Arquivo Internacional de Arquitetura Moderna do DOCOMOMO - Ficha elaborada por Sergio M. Marques

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